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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

23 motivos para se casar com uma Fotógrafa

Pois é... no texto anterior, nos comentários, recebi uma bronca: “Só existe por acaso homem tirando fotos nesse mundo?” . Não, Luzine, não são só homens...
Na verdade, sou eu quem tenho convivido com fotógrafos, muitos fotógrafos, nos últimos 14 anos. Mas quase todos homens. Só trabalhei com uma fotógrafa até hoje, numa única pauta (e não namorei nenhuma, muito menos me casei). Mesmo assim, foi bem fácil fazer a lista de motivos para se casar com elas: elas são maravilhoooosas! Eu só não vou colocar todos os 150 motivos que pensei em um único dia para não destoar muito da lista anterior. Então, lá vai:


1 Ela não vai ficar pegando no seu pé pra fazer uma foto bacana dela. Quando precisa, ela mesma faz.

2 Não precisa ficar com ciúme se ela aparecer com fotos dela mesma nua, em poses altamente eróticas, dizendo que não foi o ex namorado que fez, mas ela mesma: é verdade.

3 Fotógrafas tem os olhos voltados para o que é belo: são estetas natas. Então, mesmo que ela seja despojada e só use jeans e camiseta preta, será uma mulher atraente. Descondicione seu olhar e vai perceber que este cabelo sempre desarrumado lhe dá um charme especial.

4 Isto quer dizer que você, também, deve ter algo de muito belo. Mesmo que seja o desenho das sobrancelhas, o ‘incrível’ tom castanho de seus cabelos. Ou (ai-meu-Deus!) estas sardas nos ombros que ela acha “tudo”! Mesmo que sejam mínimos detalhes que nunca ninguém reparou antes, você vai ver como faz bem para o seu ego ser admirado.

5 Ir ao cinema vai ser uma experiência enriquecedora: ela vai falar do enquadramento, da luz, da combinação de cores do figurino com o cenário... não vai ser como aquela sua namorada que, depois de ver Tróia, ficou um mês repetindo (sobre o Brad Pitt): - Meu Zeus, o que que é Aquiles!

6 Ela não vai se importar de ir com você àquele restaurante muquifinho com toalhas de plástico, desde que – e só assim- a comida seja realmente ótima. Elas são muito exigentes, mas com o essencial.

7 Se ela for da turma do fotojornalismo, então, mais fácil: vai acampar, tomar chuva, dormir em colchão ruim, dividir pf... ainda vai dar risada e lembrar de algum perrengue que passou a trabalho. Porque, trabalhando como fotojornalista, com certeza ela já passou por coisa bem piores. Eu mesma, uma vez, peguei uma infecção intestinal viajando de barco no Pará, rapaz!, que... bem, deixa pra outro post.

8 Ela pode ganhar pouco, publicar pouco, ter poucos cliente, ser pouco reconhecida profissionalmente. Mas não vai ficar no seu ouvido se queixando que está no trabalho errado: ninguém vira fotógrafa por falta de opção, mas por gosto. Ela adora o que faz. (Já viu a bio de fotógrafa no Tweeter? “Sou uma apaixonada pela fotografia” “ a fotografia é minha vida” “Sou uma fotógrafa feliz, realizada com o que faço”... repara lá!)

9 Você não vai ter que esperar por horas enquanto ela se arruma para sair. (Geralmente) fotógrafas aprendem com a profissão a ter praticidade. Mesmo que ela faça o tipo “perua” (o que eu duvido muito), saberá fazer a maquiagem e colocar todos os adornos (se tiver) em, no máximo, 15 minutos. As unhas ela pinta no carro.


10 Se vocês forem viajar de carro, ela não vai encher o porta mala com um monte de sacolas carregadas de coisas inúteis. Tudo o que está na bagagem é útil e necessário, entendeu?

11 E você também não vai ter que carregar todas as tralhas pesadas que ela insiste em levar para um básico final de semana no Guarujá. Ela vai dizer: “pode deixar, o MEU equipamento EU levo”.

12 Ela não vai reparar que você tá olhando para aquela gata que passou. Na verdade, se a mulher for mesmo bonita, ela vai olhar antes de você. Ela é uma esteta, esqueceu?

13 Não precisa ter ciúmes se for você quem a flagrar olhando aquele cara maravilhoso que sentou na mesa ao lado. Ela é uma esteta, esqueceu de novo?!

14 O expediente já acabou faz tempo mas ela vai direto para o computador mexer num tal de LightRoom? Ela vai ficar lá tempo suficiente para se assistir a todas as reprises do Brasileirão. Então, aproveite, não há mulher que tolere reprise de futebol (nem as que gostam de futebol, como eu)

15 E por falar em futebol, também vai sobrar tempo para jogar com os amigos: ela pode ter um casamento, um ensaio ou uma pauta em pleno feriado nacional. E, saiba, nem vai reclamar.

16 Se ela varar a noite na frente do computador e não for com LR nem Photoshop, fique tranquilo: também não vai ser com uma traição virtual. Vai ser o Flickr, o Tweeter, o blog do Clício, o Olhavê, próprio blog... É trabalho, ainda!


17 Ela tem um encontro com colegas de profissão e você não pode ir. Ficou enciumado? Relaxe, onde há mais que 3 fotógrafos, não há possibilidade de paquera porque só há um assunto. E você sabe qual. Aproveite: se não estiver passando mais nenhuma reprise de futebol, vá jogar playstation. Mulheres também não toleram’homens adultos’ jogando videogame!

18 Ao contrário de muitas mulheres, a fotógrafa provavelmente vai gostar de assistir com você à sua coleção de filmes pornôs. Afinal, elas gostam de tudo o que se refere à imagem. O problema é que, quando você estiver bem empolgado, ela pode dizer: “mas por que será que eles usam esta luz tão dura, tão branca? Ficaria bem melhor se fosse uma luzinha lateral, meio difusa, um pouco mais quente... você não acha, amor?”. Fique calmo, amor, e mantenha o clima.

19 Se vocês resolverem fazer um casamento como manda o figurino –vestido, buquê, igreja- você não vai ter que se preocupar com o álbum. Deixe que ela decida tudo. Pode ser que ela chame seus melhores amigos e faça um álbum colaborativo, tipo “coletivo fotográfico”! E de graça! Agora, se ela vier com um papo de casamento imersivo em 360º, fotojornalismo de casamento ou seja lá o que, diga apenas: “acha ótimo, querida”. E não reclame, em hipótese alguma, do preço: corre o risco de ouvir um discurso de classe digno de Fidel Castro (sugiro economizar no aluguel da sua roupa ou nas garrafas de uísque).

20 Se vocês tiverem filhos, pode passar as festinhas de aniversário deles tomando cerveja lá no fundo com os outros adultos. Sabe aquela cena tradicional, do papai com a câmera na mão e a mamãe atrás do bolo com a criança no colo, gritando entre os dentes para não desmanchar o sorriso : “tá pegando o painel? Tá pegando ‘todo’ o painel?”? Você está dispensado!

21 E também não vai ter ouvir broncas porque, na festinha de fim de ano, você enquadrou todas as crianças, menos seu filhote. Ou porque no registro do natal você ‘cortou’ a cabeça da tia preferida dela. Fotógrafas compreendem estas limitações dos outros seres humanos. Quando querem fotos boas, elas mesmas fazem.

22 Você é fotógrafo também? Melhor ainda! Enfim arrumou uma companhia feminina (já tava pegando mal você sempre com aquele seu amigo, também fotógrafo, né?) para aquelas vernissagens semanais. Ela nem vai ficar reclamando da batatinha no palito escorrendo molho. E quando você disser: “Olha, aquele é o Rubens Fernandes Júnior”! Ela vai olhar na hora, sabendo de quem se trata. Isto é, se ela não o achar primeiro. Também vai ter alguém para olhar todas as suas fotos sem se cansar, dando palpites interessantes. E se você fotografa mulheres nuas, ela pode até sugerir alguns ‘ajustes’, mas você está livre de comentários despeitados do tipo “nossa, mas que peitinho caído que ela tem, né?”

23 Se o casamento durar até a velhice, ela não vai ficar ao seu lado reclamando que quer ver a novela do SBT enquanto você prefere ver o Datena. Pode ficar sossegado que o controle remoto é só seu: provavelmente ela ainda estará indo a eventos, congressos e palestras de fotografia. Hum... pensando bem, se o seu futuro é ficar num sofá vendo TV, saiba: muito antes disto, esta mulher já te deixou.

Obs. Vou dizer de novo: "não me processe que eu sou pobre". Case com uma fotógrafa por sua conta e risco!
Não, não é autopromoção: eu não estou querendo me casar!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

21 Razões para se casar com um fotógrafo

Ontem, o Clício Barroso colocou no seu blog as 50 razões para não se casar com um fotógrafo (http://www.clicio.com.br/blog/2010/50-razoes-para-nao-casar-com-um-fotografo/). Fiquei abalada. Se ter um relacionamento com fotógrafos é tão ruim assim, como consegui ter três? Masoquismo? Situações mal resolvidas na infância? Compulsão esquizofrênica? Eh... burrice? É claro que não dá pra responder assim de repente, vou precisar de alguns anos de análise. Mas, como a gente tá sempre tentando se justificar para os outros, criei a minha própria lista: 21 razões para dizer sim aos fotógrafos. Tá certo que eu não consegui 50, apesar de me esforçar, mas vou buscar uma ajudinha luxuosa de Carlos Drummond de Andrade: "Há vários motivos para não se amar uma pessoa, e um só para amá-la; este prevalece”


1-Fotógrafos, mesmo os mais tímidos, são sempre galantes. Faz um bem pro ego!

2-Seus pais nunca vão reclamar que você casou com um vagabundo: ele pode não ter emprego, mas estará sempre trabalhando.

3-E se ele for um fotojornalista que vai para guerras e coisas do tipo, vai conseguir respeito até daquela sua tia mais careta, que invoca com o jeito esquisitão que ele tem (tá certo que o cara demora meses para perceber que precisa aparar o cabelo e a barba, mas, afinal, qual o problema de alguém se parecer com o Capitão Caverna quando é capaz de arriscar a vida desta forma, né?).

4-Se fotógrafos não dão carona para o casal de amigos porque o banco do carro tá cheio de equipamentos, também não dão carona para aquele cara folgado, que vai insistir para vocês desviarem em quilômetros o caminho só para deixá-lo na porta de casa.

5-E como o porta malas também tá sempre cheio, você é obrigada a fazer malas exíguas, que levem apenas o essencial. Ótimo aprendizado para quando for viajar sozinha: vai poder carregar suas malas sem esforço.

6-Ir ao cinema fica bem melhor. Você aprende a observar outras coisas - além do roteiro e da fina estampa do galã - como movimentos de câmera, enquadramentos e iluminação.

7-Na verdade, tudo pode ter uma nova cara: o fundo da lata de cerveja, a silhueta da antena do vizinho, a gota de orvalho no brotinho da samambaia... você vai começar a botar reparo em coisas que nunca tinham tido a mínima importância na sua vida.

8- São melhores conselheiros na hora de escolher uma roupa do que as amigas. Elas sabem o que está na moda. Eles sabem o que realmente fica bem em você.

9-Esta regra também vale para os cabelos, a maquiagem e a cor do esmalte. Eu sei... o cinza arábia tá na moda e suas amigas adoram. Mas se ele disser que “parece que você não tem mais a ponta dos dedos”, dê o vidrinho recém comprado para a sua sobrinha modernete. Ele deve estar certo.

10-Eles gastam todo dinheiro em equipamento. Mas isto é melhor do que gastar em outras coisas, né? Imagina ser casada com alguém que gasta tudo na coleção de dvds de axé!

11-Fotógrafos são movidos à paixão. Se está com você é porque você é apaixonante, mesmo que eles nunca digam.

12-Também estão sempre procurando beleza. Então, seguindo o raciocínio do item anteriror, você deve ter uma beleza especial (isto eles até dizem). Mesmo que ele esteja cercado de modelos lindas, sensuais e – obviamente- mais bonitas que você.

13-Pense nisto também na hora em que o flagrar olhando descaradamente para outra mulher: melhor do que fazer uma cena de ciúme, é dizer (mentir?) para si mesma que ele só está olhando por uma questão estética (ele é um esteta nato!).

14-A maioria dos fotógrafos precisa viajar a trabalho, pelo menos de de vez em quando. E, a menos que você trabalhe com ele, sobra tempo para se encontrar com as amigas solteiras e ficar hooooras falando sobre aqueles assuntos que nós adoramos mas que evitamos na presença deles.

15-Fotógrafos são exigentes. Mesmo que o restaurante que ele insiste em ir seja um muquifo com toalhas de plástico, a comida deve ser ótima.

16- Fotógrafos têm sempre algo para te ensinar. Mesmo que sejam nomes esquisitos que mais ninguém conhece. Como Gurski. Scheimpflug. László Moholy-Nagy.

17-Se você acha importante manter o diálogo, fique tranquila: nunca vai faltar conversa neste relacionamento. Por via das dúvidas, mantenha-se informada sobre o mundo da fotografia: talvez o tema das conversas não varie muito.

18-Se você gosta de fotografia, tem uma ótima oportunidade de aprender muitas coisas observando sua postura profissional. Eu disse ‘observando’. Não fiquem na ilusão de que ele vai te emprestar lentes ou te ensinar a usar o flash: se o teu interesse é técnica, faça um curso. Ele, no máximo, vai querer te ensinar outras coisas, como a subjetividade narrativa cinematrográfica implícita nos enquadramentos de Sergei Eisenstein ou a importância da documentalidade dentro do contexto contemporâneo numa sociedade saturada pelo excesso de imagens cuja banalização da fotografia beira... Enfim, abra bem os olhos, balance a cabeça concordando (concorde sempre) e se matricule num curso o mais rápido possível.

19-Seus retratos serão retocados: acabou aquela estória de por seu cachorrinho no avatar do Twitter porque não ficou bem na foto. As pessoas podem até não te reconhecer, mas que você vai ficar bem, isto vai!

20-As fotos de corpo também podem virar uma montagem. Se ele puser o corpo de uma gostosona embaixo do seu rosto, guarde com cuidado. Se vocês se separarem, você pode usá-las num daqueles sites de ‘paquera’ quando estiver afim de ter outro namorado (e, se na hora de se conhecerem pessoalmente, ficar muito visível que você tá com vários quilos a mais, invente que está tomando um anticoncepcional que retém liquidos)

21-Se você conseguir manter o casamento até a velhice não vai ter que se lidar com um marido aposentado na poltrona assistindo Datena e reclamando dos jovens de hoje em dia. Fotógrafos não se aposentam. E estão sempre cercados pelos jovens de hoje em dia, que ficam pedindo opinão sobre seus próprios trabalhos. Ah, eles também não assistem o Datena: o cenário é feio.

Obs. Seguindo o raciocínio “não me processe que eu sou pobre”, deixo o alerta: não estou recomendando a ninguém que se case com um fotógrafo. Leia as duas listas e tome as decisões por sua conta e risco.
E, não, eu não vou mais namorar nenhum fotógrafo, ok?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Mulheres de Verdade


Uma Mulher de Vestido entrevista Mônica Canejo, a fotógrafa que realizou ensaio erótico com Barbies:

UMDV As Barbies não têm celulite, não têm pneuzinho, não têm flacidez e estão sempre sorrindo. Elas são o ideal da mulher atual?

MC Elas representam um padrão de beleza buscado por muitas mulheres do mundo. Um padrão que a mídia exaustivamente nos mostra todos os dias. Mas, qual é o preço deste ideal? Para manter este corpo, elas não comem. Pelo menos eu nunca as vi comendo. E o peitos, talvez seja fácil perceber, não são naturais, são sintéticos. Não que eu as esteja criticando. Só estou questionando se todas as mulheres devem ser assim também.

UMDV Acho que esta questão tem sido mais discutida ultimamente na mídia. Como no caso da modelo Filipa Hamilton que se queixou há tempo por sua imagem ter sida manipulada para que ela parecesse mais magra... e ela já era praticamente uma Barbie, né?

MC Pois é... mas eu acho que esta questão vai além. Algumas revistas estão começando a publicar fotos com modelos menos magras ou até com não modelos. O que, para mim, é só uma estratégia de marketing. Porque então vamos passar a ver que as moças mais cheinhas são bonitas. Pronto! Todo mundo vai ter que se enquadrar novamente. E as magérrimas é que vão fazer regime de engorda.
O que eu quero dizer é que não se trata de ser magra ou gorda. Alta ou baixa. Loira ou morena. Trata-se de estarmos sempre lidando com padrões de beleza femininos excessivamente rígidos. As próprias mulheres se cobram, e o resto da sociedade também cobra, para estar no padrão. Eu me lembro que nos anos 70 e 80 era bonito ter peitinho. A partir dos 90, virou moda os peitões. E a mulherada correndo atrás dos cirurgiões plásticos, ora para diminui ora para aumentar.

UMDV E você é contra a plástica?

MC Nem contra nem a favor, acho esta uma questão muito pessoal. Eu não faria, mas tenho uma amiga que colocou uma xícara de silicone em cada lado e está super feliz. O que eu questiono é esta banalização da plástica. Você vê outdoor anunciando cirurgias estéticas em 36 vezes, como se fosse um computador Positivo das Casas Bahia. Mas é um procedimento cirúrgico como qualquer outro, com todos os riscos que isto envolve. E as pessoas se arriscam muito facilmente para se sentirem incluídas.


UMDV Já que você usou a palavra inclusão, gostaria que você falasse um pouco sobre a participação da Teresa neste ensaio...


MC Ah, a Teresa! A Teresa é uma jovem muito bonita que, num acidente doméstico*, perdeu as duas pernas. Isto não a impediu de manifestar sua sensualidade. Ela está em praticamente todas as fotos, porque é justamente a mais expressiva das três. Ela está sempre com um olhar sereno e, ao mesmo tempo, um leve sorriso. Eu diria até que ela é a que tem mais cara de ‘safada’ (rs). Neste caso acho que não estamos só falando de inclusão social, mas sexual também (rs).

UMDV No caso, inclusão a três! Com isto você estava pensando em também questionar os padrões de sexualidade?

MC Como...? Ah, sim... claro. O modo como uma sociedade se manifesta sexualmente é bastante representativo de seus valores. Então eu quis mesmo questionar o pensamento básico da heterossexualidade monogâmica.

UMDV Por isto não há a figura masculina neste ensaio?

MC E por que temos sempre que nos render à figura masculina? Sempre este padrão patriarcal machista? Quando as mulheres terão espaço para se expressarem sem esta dependência do homem?
Bem, também porque não tinha nenhum Ken lá em casa... Sem contar que o Ken sem roupa é muito feio, parece um boneco!


E como foi o trabalho com as modelos?

MC Além da Teresa, estavam também a Clarice e a Summer. Puxa, elas são muito disciplinadas. Algumas fotos demoraram bastante para serem feitas e elas se mantinham absolutamente imóveis. Sem contar que atendiam a tudo o que eu pedia, numa boa, sempre com um sorriso nos lábios, muito concentradas. E com um ótimo entrosamento entre elas. Principalmente entre a Teresa e a Summer, há uma química entre elas... A única dificuldade que tive foi que, em alguns momentos, a imagem ficaria com uma atmosfera mais íntima se elas fechassem os olhos. Mas, tudo bem, a gente também tem que compreender as limitações individuais.

UMDV E elas gostaram do resultado?

MC Muito! Elas acharam que ficou “bastante sensual, sem ser vulgar”.

UMDV Sabe que, agora que você levantou todas estas questões, eu confesso que não tinha pensado em nada disto. Desculpe-me se te subestimei, mas achei mesmo que sua intenção era mais lúdica, compreende? Achei que você estava só brincando quando resolveu fotografar as Barbies da sua filha.

MC Cá entre nós, só estou falando estas coisas para aproveitar que este assunto ta na moda e parecer um pouco mais engajada. Esta história de fotografia como instrumento de transformação social... sabe? Quando eu fiz as fotos, tava só achando muito engraçado. Mas isto você corta, tá? Deixe as pessoas pensarem que eu sou inteligente.

UMDV Agora, mudando um pouco de assunto, você não acha que esta entrevista pode ser um sintoma de algum tipo de distúrbio? Não leve a mal, mas me parece um tanto esquizofrênica, não é?

MC Não, acho que não. Só estou tentando chamar um pouco a atenção. Em todo caso, se você quiser, posso conversar sobre isto com a doutora Cristina.

UMDV Quem é a doutora Cristina?

MC Oras, é a sua psiquiatra! Quero dizer, a minha!



sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Dia do Fotógrafo: os preferidos

Há os professores. Têm sempre alguma coisa pra dizer. Não que eles achem que sabem mais: eles, de fato, sabem mais. Não sei dizer o que, mas é alguma coisa que escapa à percepção das outras pessoas e que eles pescam rapidamente. O melhor é que compartilham. E vale ponhar reparo no que eles dizem, costumam estar certos.
Além deles, os meus ‘preferidos’ são os mais velhos. Alguns aprenderam a fotografar em câmeras que nem tinham fotômetro. E agora estão aí, debruçados nos computadores, mexendo em programas de tratamento de imagem da mesma forma que aprenderam a medir a luz ‘no olho’. Não só testemunharam como fizeram parte efetivamente das mudanças qeu a fotografia vem passando nas últimas décadas. E nunca se aposentam: estão sempre fazendo alguma coisa nova. É como se os equipamentos ficassem obsoletos, mas eles não. Tem um ditado que diz que cachorro velho não aprende truque novo. Fotógrafos aprendem. Mantêm um perene interesse em aprender. E têm sempre tantas coisas pra contar que sou capaz de conter minha tagarelice e ficar só ouvindo, por horas, encantada com o que eles podem ensinar. Também já perderam o deslumbramento dos mais jovens, mas não perderam a paixão.
Aliás, todo fotógrafo - e agora eu não estou generalizando a esmo, é fato - é um apaixonado. Nunca conheci um que tivesse entrado na profissão só porque era vontade da família ou porque passou num concurso da prefeitura. Do fotodocumentarista que se embrenha por meses na floresta amazônica querendo pegar malária ao fotógrafo de casamento que chama suas clientes bonitinhamente de ‘minhas noivinhas’. Eles amam fotografar, dá para perceber só pelo jeito com que seguram as câmeras. E, quando em ação, têm um brilho nos olhos que até confunde quem está por perto. Alguns são tímidos, inseguros. Outros são espalhafatosos, exibicionistas. Uns são rústicos. Outros sofisticados. Mas nenhum é ‘morno’. É esta intensidade indisfarçável que os torna tão atraentes e, até, populares (ou vocês já viram algum protagonista de cinema que era despachante? Mas, fotógrafos, de “Blow Up” a “Antes da chuva”, tem mais de uma dúzia de filmes). Talvez eu seja suspeita (sim, eu sou absolutamente suspeita) para dizer, mas eles costumam ser apaixonantes. Me lembrei disto quando li no blog do Ayrton (http://ayrton.com/360/) a descrição do dia em que o helicóptero caiu na favela .... ele contando como ficou sabendo, da correria, da emoção. Pronto, me apaixonei pelo Ayrton! E por todos os fotojornalistas de novo. Tá, eu prometi para minhas irmãs e amigas que nunca mais vou namorar um fotógrafo. Estou cumprindo a promessa. Mas, gostar deles eu posso, não é? Eu simplesmente não consigo deixar de admirá-los. No fundo, acho que até os cotoveleiros, quando não estão cotovelando ninguém, devem ser interessantes (hum... talvez eu devesse ter dado uma chance pro cara da escada...). Então, é isto: feliz ‘dia dos fotógrafos’!

Dia do Fotógrafo: Tralhas

Tem também os fotógrafos que negam o flash. Não usam porque acham que a luz que está é a luz que deve ser usada. Alguns têm discursos bacanas. Outros pecam um pouco. Mas eu conheci um, gente boníssima e excelente profissional, numa viagem pelo Jequitinhonha, que dizia que até usou flash por um tempo mas não gostou. Preferia fazer as fotos com a luz que estava presente na cena. Imaginei que ele era um ‘purista’, apegado à luz natural. Então, na hora de sair para ir fotografar umas pessoas, ele pegou suas tralhas. Bolsa com as câmeras e lentes, tripé e... uma gigantesca luminária de luz contínua. Pois é, ele não usava flash, mas viajava carregando um monte de equipamento de estúdio. O engraçado foi na hora de ir embora, quando ele pegou o onibusinho que ia de Chapada do Norte para Diamantina. Foi preciso mobilizar todos os recém amigos – todos fotógrafos- para ajudá-lo com a bagagem. Compridas bolsas, lotadas de tripés e lâmpadas e etecéteras. Mais bagagem para uma semana do que eu levo para um mês.
Por falar em bagagem, é outro item curioso com relação a fotógrafos. Carregam tanta coisa! Conheço um que levava a fralda da filha (de pano e limpa, claro). E outro que não saía de casa sem levar vários livros, várias revistas, mapas e uma infinidade de outras coisas que era óbvio que ele não ia ter tempo de usar. E outro que, numa viagem a trabalho, foi barrado pela segurança do aeroporto na hora de passar pelo raio x. Porque além da câmera e de todas as lentes, filmes, filtros, flashes, caixinhas e caixonas, ele tinha na bagagem de mão duas chaves de fenda e dois estiletes. Mas não eram duas chavinhas de fenda, daquelas de relojoeiro, boas para emergências com o equipamento. Eram duas chaves enormes! E dois estiletes enormes (e por que dois?)! Ainda bem que estava no Brasil, porque em qualquer outro lugar ia ser difícil convencer que não era um terrorista ("Não, não...eu não vou fazer a comissária de refém, 'insh Allá' a minha barba caia se eu fizer algum mal com esta chave de fenda de meio metro. E, pelas virgens do profeta, esta é apenas minha coleção de estiletes, não são adagas!")

Dia do Fotógrafo: O Lobo Mau

Há também o fotógrafo LOBO MAU. Costumam aparecer em eventos discretos, como palestras e shows para poucas pessoas. Chegam mais paramentados do que padre em missa da semana santa. Colete de homem bomba, bolsas grandiosas, a câmera já na mão. E uma lente enorme. Fico pensando: o que é que ele está enquadrando com esta lente, assim tão de perto? Está tentando contar quantos cílios a cantora tem no olho esquerdo? Procurando uma marquinha de catapora?
Me dá vontade de chegar pertinho e perguntar com vozinha de Chapeuzinho Vermelho:
- Mas vovóóó... pra que uma lente tããão grande?

Dia do Fotógrafo: outros estereótipos

OS OBCECADOS. Alguns são pelo equipamento. Mal ouviram falar de um lançamento com um 0,0001 mp a mais e já estão atrás da BH fazendo sua encomenda. Me lembro de um que tinha sempre a Cannon mais nova, com duas dúzias de lentes. E um dia ele mesmo confessou que não sabia para que tudo aquilo, se na época o que ele estava fazendo era o passo a passo pra uma revista de ‘ponto em cruz’.
Outros são obcecados pela própria fotografia. Não falam outra coisa. Conheci um rapaz que estava começando a fotografar. Era namorado de uma amiga do meu namorado. Nos encontrávamos em festas de amigos em comum e passávamos a noite toda ‘conversando’. Na verdade, ninguém tinha paciência com o rapaz: ele até era gente boa, mas só falava de fotografia. Então meu namorado, que era fotógrafo, saía de fininho. A namorada dele também. E restava a mim, pessoa tolerante e generosa, ouvir o moçoilo monologar durante horas sobre todas as suas reflexões, dúvidas e pretensões com relação ao seu único assunto. Alguns anos depois, nos encontramos casualmente numa livraria e ele me contou que estava namorando uma bailarina. Me surpreendi de ouvi-lo pela primeira vez falar de outro assunto. Aí a conversa foi indo até ele contar que, então, agora estava fotogrando balé. Pois é.

OS ANGUSTIADOS: às vezes, a angústia é com a fotografia. Eles olham, olham... E pensam que poderia ter ficado melhor, que não souberam aproveitar bem a ocasião, que o editor não soube escolher, que a impressão ficou ruim... Outros se angustiam com a relação do fotógrafo com o objeto fotografado. O rapaz vai lá numa comunidadezinha distante e volta se sentindo um ladrão de almas, perguntando a si mesmo e ao resto do mundo qual foi a contrapartida social deste trabalho. Acham que podem usar a fotografia para mudar o mundo. Mas, no fundo, não usam. Apenas se angustiam. Outras já extrapolam: estão angustiados é com a vida mesmo. Fazem da fotografia sua forma de expressão porque precisam muito expressar seu próprio “eu”, sabe? Ok! Eles costumam ser pessoas do bem! Mas, cá entre nós, prefiro os mais felizes.

Também não tenho muita paciência com os MENINOS PRODÍGIOS. São criativos, ousados, antenados. Mas geralmente tem uma empáfia! Compreendo bem que alguém que já tem fama de bom profissional antes de completar 30 anos fique um pouco deslumbrado. Mas me lembro que, não sei quando nem onde, o Pedro Martinelli disse que só se considerou fotógrafo depois de 10 anos de profissão. Acredito que tenha mais relação com a postura que se adquire com a experiência do que com o resultado técnico-estético das fotos. O bom é que os jovens talentos, com o tempo, vão percebendo que há mais coisas entre a câmara escura e o fundo infinito do que julga sua vã sabedoria. E vão se tornando pessoas menos arrogantes e, portanto, mais simpáticas e interessantes (talvez por isto os meus preferidos sejam os mais velhos).

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Dia do Fotógrafo: os 'Cotoveleiros'

De todos os fotógrafos que conheci, os piores, para mim, são os 'Cotoveleiros'. Incrível, eles parecem ter mais cotovelos do que olhos! Em qualquer evento, vão empurrando todo mundo com os braços abertos, como galinhas chamando os pintinhos pra debaixo da asa. Quase sempre têm também uma bolsa enorme, que balançam de um lado para outro para afastar os concorrentes. Estão sempre desesperados para conseguir um lugar melhor, para fazer uma foto melhor, para fazer o registro único num local nem um pouco exclusivo. Acho que nunca passou pela cabeça deles a palavra ‘cooperação’. O que os torna mais patéticos é que, na maioria das vezes, fazem esta cena desnecessariamente. E preocupam-se tanto em concorrer com os colegas que não percebem o que realmente está se passando. Uma vez, cobrindo um Agrishow Ribeirão, levei várias cotoveladas de um cara que queria fotografar o presidente Lula. Ia empurrando todo mundo e dizendo que era do "O Globo". Mas a verdade é que o Lula, que ainda não tinha decepcionado muita gente, ficou um bom tempo no palco, fazendo pose para as lentes. Ele é quem tinha chegado atrasado. Só conseguiu fotografar dona Marisa, na saída, conversando com um palhaço (palhaço mesmo, de cara pintada e nariz vermelho) que estava fazendo não sei o que naquela cena.
O pior é que, no ano seguinte, lá estava ele de novo (o fotógrafo, não o palhaço). Com uma mochila gigante e um novo item no equipamento: uma escada. Eu disse: uma es-ca-da! Para quem não sabe, o Agrishow Ribeirão Preto é maior feira de agronegócios da América Latina, um evento realmente grande, mas bem organizado, com horários marcados, discursos programados e acesso absolutamente livre para a imprensa, com dezenas de computadores a disposição e cominhos caprichados, com sucos, refrigerantes, saladas, massas e queijos cremosos com geléia de framboesa (um luxo). Sem contar os shows e os jantares nos melhores restaurantes da cidade, exclusivo para jornalistas (ô saudade!). E eu pergunto: para que o desespero? Para que passar na frente dos outros? Para que a pressa? E o que ele ia fazer com uma escada num local onde não havia necessidade de se ver de cima?Aliás, para ver de cima mesmo, fotógrafos tinham direito a vôos panôramicos de helicóptero. É sério. E se ele não abria mão disto, bastava usar uma mesinha ou pedir uma escada, com certeza não faltaria. Desta vez ele estava fotografando o infame Severino Cavalcanti, que na época era presidente da Câmara. Falou umas bobeiras, abraçou uma criancinha com síndrome de Down e foi solenemente ignorado pela imprensa. Se alguém fez foto dele, foi só pra constar. Quando acabou o discurso, o fotógrafo cotoveleiro parecia mais tranquilo. E me deu umas olhadas, meio em jeito de flerte (até que ele era ajeitado, sabe?). Como sou boa fisionomista, reconheci na hora o cotovelador do ano anterior. E passei direto, fingindo que não tinha notado a existência dele. Porque simplesmente não dá pra levar a sério alguém que vai do Rio de Janeiro a Ribeirão Preto carregando uma escada nas costas.

08 de janeiro: Dia do Fotógrafo

No início de 1996, pela primeira vez fui apresentada a um fotógrafo. Foi uma apresentação que coincidiu com minhas primeiras aulas de fotografia na faculdade. O que eu não sabia é que, daí por diante, não me livraria mais deles. Trabalhando, estudando, viajando, conversando, namorando, tuitando... eu já perdi a conta de quantos conheci: são catorze anos de convivência ininterrupta. Então acho que estou habilitada a falar sobre as minhas impressões sobre eles. Vou começar pelos mais chatos (prometo que depois falo dos legais).